Francisco Gedeão, heterónimo de Rui Aires e membro fundador da Charanga, apresenta neste novo projeto a solo uma fusão entre electrónica e tradição oral ibérica. Utilizando sampling, síntese e sonoplastia, constrói-se uma linguagem própria onde se cruzam melodias, ritmos com raízes na Península Ibérica.
A esta estética singular, o autor chamou ECT – Electrónica Cá da Terra.
O álbum reúne oito canções:
Seis temas tradicionais oriundos de várias regiões ibéricas como Trás-os-Montes, Beira Litoral ou Peñaparda e duas composições originais — uma delas parte de um poema de Alberto Caeiro, a outra uma recriação de “Eh Companheiro!”, de José Mário Branco.
As canções abordam temas como a ligação aos antepassados, o peso e a dignidade do trabalho, a força do coletivo e a procura da liberdade, sem esquecer o amor — nas suas várias formas. Apesar de ser um trabalho pessoal, o disco conta com a participação de vários artistas convidados e celebra uma herança que é de todos. Propõe-se, assim, como ponte entre tempos, lugares e vozes.
Um disco pessoal que celebra o coletivo vivo, de toda a gente e para toda a gente.
Francisco Gedeão é um pseudónimo de Rui Aires, que, tal como Ez Ayr, Punk C Fixe, Frank Goobio, entre outros, serve para representar diferentes facetas de si mesmo. Estas representações artísticas surgiram no seio do coletivo de artistas que se moviam pelas artes digitais - Essay Collective / Collectividade do Ensayo.
O nome Francisco Gedeão surgiu como uma expressão do seu lado mais radical e ligado à sua identidade cultural. Criando, assim, música de inspiração popular, baseada na tradição oral ibérica, misturada com beats e sintetizadores, frequentemente com uma mensagem de ativismo social. Em 2008, fundou o projeto Charanga, mas, com o tempo, sentiu a necessidade de dar mais autonomia ao nome Francisco Gedeão, criando um espaço mais pessoal e individual para explorar repertórios e outras narrativas.
No entanto e no fim de contas, na sua perspectiva, um trabalho criativo, por muito individual que seja a sua curadoria, dificilmente se faz sozinho. Às vezes é preciso estar-se só para se perceber que se quer estar acompanhado. Daí o nome “Francisco Gedeão - Sozinho? Não!”
Está, então, o Francisco Gedeão sozinho? Não!
Grande parte do que de bom acontece neste conjunto de canções é da responsabilidade dos artistas convidados:
Sofia Adriana Portugal, cantora, que neste álbum foi responsável pelos arranjos vocais e interpretação vocal de quatro dos oito temas;
Tiago Manuel Soares, percussionista, que participou em quatro temas do álbum e que, para além de um estudioso da percussão, conta com mais de 15 anos de experiência na interpretação de música popular portuguesa;
Adufe & Alguidar, grupo feminino de vozes e adufes, com uma carreira sólida na interpretação contemporânea de temas no repertório ibérico;
Luís Peixoto, mestre dos cordofones que, neste álbum, toca bandolim.
Rui Aires é percussionista, compositor e produtor musical. Com formação em percussão clássica e especialização em percussão ibérica, explora há mais de 15 anos as tradições musicais da Península Ibérica, fundindo-as com eletrónica e experimentação.
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